Exame de sangue detecta câncer previamente

A revista científica Nature publicou em julho de 2020 os resultados preliminares de uma pesquisa que promete revolucionar a medicina: a detecção precoce não invasiva de câncer quatro anos antes do diagnóstico convencional usando um exame de sangue, chamado de PanSeer. Cientistas da Universidade chinesa de Fudan desenvolveram esse exame capaz de diagnosticar diferentes tipos de câncer, cerca de quatro anos antes do surgimento de quaisquer sinais.

Como funciona o PanSeer?

O exame é baseado na metilação do DNA. Isso significa que ele analisa o plasma sanguíneo em busca dos grupos metil, moléculas que costumam aparecer no DNA de possíveis tumores.

Nessa pesquisa, os cientistas utilizaram amostras previamente cedidas por pacientes voluntários para treinar um algoritmo e, a partir disso, desenvolver um sistema capaz de identificar grupos metil no DNA. Dessa forma, poderiam apontar tumores silenciosos.

Uma parte dos pacientes tinha um desses cinco tipos de câncer: estômago, colorretal, fígado, pulmão ou esôfago.

Metodologia do PanSeer

Entre 2007 e 2014, o teste foi aplicado em 605 amostras coletadas de voluntários. 191 pessoas desenvolveram um dos cinco tipos de câncer avaliados, e 95% tiveram diagnósticos positivos. 414 sujeitos não tiveram câncer no período avaliado, e 96% dos resultados havia sido negativo. O exame não conseguiu apontar qual dos cinco tipos de câncer o voluntário poderia desenvolver, só indicava que havia a presença de um tumor.

Demais ensaios precisam ser feitos para confirmar a eficácia do método, porque embora os resultados tenham sido promissores, o teste foi utilizado em um número consideravelmente baixo de sujeitos.

O PanSeer, se comprovado eficaz nos testes vindouros, tem a vantagem de ser um procedimento menos invasivo do que a colonoscopia e a mamografia, por exemplo.

No Brasil, o câncer de pulmão é o segundo mais frequente em homens e mulheres. O de estômago é o terceiro tipo mais frequente entre os homens e o quinto entre as mulheres. O de esôfago é o oitavo mais frequente no mundo e a incidência em homens é cerca de duas vezes maior do que em mulheres.

Um diagnóstico precoce aumenta consideravelmente as chances de sucesso no tratamento dessas doenças.

Nessa mesma pesquisa, foi observado que 91% dos pacientes que descobrem o câncer no início permanecem vivos cinco anos depois do diagnóstico. A taxa de sobrevivência cai para 26% no grupo que descobre a doença em estágios mais avançados.

Mais uma vez a ciência trabalhando em prol de salvar vidas.

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