Nós já tivemos a oportunidade de falar sobre a recomendação do Conselho Federal de Medicina acerca do uso do BIS aqui no blog Brakko.
Hoje, nós falaremos sobre as especificidades, etapas de monitorização e aspectos técnicos do uso do sistema BIS.
Desafios da sedação
O Índice bispectral, ou monitorização bis das funções cerebrais, é utilizado para monitorar as atividades das ondas cerebrais de pacientes em sedação. A sedação perfeita é obtida pela gestão adequada de 3 fatores: hipnose, analgesia e arreflexia. Sem avaliar esses 3 elementos, pode haver sedação superficial ou profunda.
A arreflexia é a ausência de movimentos involuntários, e a analgesia é a diminuição da resposta a estímulos dolorosos. Esses 2 critérios eram mais simples de serem medidos. No entanto, a medição do terceiro elemento, a hipnose (ou falta de consciência), era até bem recentemente um desafio para a medicina.
Sedação profunda
A sedação profunda pode causar diversos danos e custos extras, tanto para o paciente quanto para o hospital. Alguns exemplos são:
demora no despertar;
aumento de tempo em ventilação mecânica;
aumento na quantidade e custo relacionado a drogas e fármacos;
aumento do tempo de permanência na UTI;
Sedação superficial
A sedação superficial também é nociva, como pode ser visto abaixo:
Ansiedade e agitação do paciente;
falha em ventilar efetivamente, o que pode levar a óbito os pacientes com COVID;
remoção não intencional de dispositivos médico-hospitalares;
Monitorização BIS: etapas de monitorização
A tecnologia Bis enfrenta esse desafio por meio do monitoramento da profundidade da anestesia ou sedação medindo diretamente os efeitos anestésicos e sedativos no cérebro.
Pacientes pediátricos a partir de 4 anos e adultos em UTI podem se beneficiar do uso do BIS. Solicitado o sensor BIS apropriado na farmácia com prescrição médica em prontuário, a pele deverá ser higienizada com álcool 70% e logo em seguida os sensores são posicionados conforme as instruções da embalagem. Na sequência, esses sensores são conectados ao monitor, que irá realizar uma verificação no sensor e iniciar a monitorização da profundidade anestésica do paciente. A cada hora os valores BIS e SR devem ser anotados no prontuário, e a cada 24 horas a troca dos sensores e a avaliação da condição da pele do paciente deve ser realizada. Os sensores são descartáveis e de utilização única por paciente.
Sistema BIS: aspectos técnicos
O uso da monitorização BIS traz melhora significativa nos desfechos clínicos dos pacientes com COVID em UTIs, tanto para uso adulto quanto pediátrico. A indicação de uso é para pacientes em ventilação mecânica; bloqueio neuromuscular (BNM); coma induzido; procedimentos à beira-leito; em sedação; entre outros.
O sistema BIS inclui:
monitor completo,
cabo de interface paciente-monitor,
o BISx, que é o processador com módulos de 2 e 4 canais, que processa o sinal de EEG,
cabo de alimentação de energia,
sensores BIS, para monitorar a diversidade de pacientes.
A tela de monitorização exibe o número BIS, indicador de qualidade de sinal eletroencefalográfico (EEG) e eletromiográfico (EMG), ondas do EEG bruto e dados de tendência. Nele, vê-se a avaliação do quão sedado ou acordado o paciente está através de um índice entre 0 e 99. 100 indicaria que o paciente está completamente desperto, e 0 indica isoelétrico, ou sem atividade EEG. O índice ideal para a maioria dos procedimentos é entre 40 e 60.